segunda-feira, 9 de junho de 2014

O rapaz do violino gordo

Corria uma leve brisa no entardecer da cidade.
Gente atarefada carregava o cansaço de um dia, mais um dia, sem história, nem memória. Um dia, como tantos outros.
Na rua as luzes dos candeeiros já brilhavam, misturando-se com os néones das lojas, publicitando moda e sonhos difíceis de comprar.
Naquela hora, a cidade adquiria uma magia hipnotizante. Tudo era luz, brilho. Era fácil imaginar que finas sedas vestiam-nos a pele e perfumes de odores sofisticados esvoaçavam pela atmosfera citadina.
No meio da rua que vendia fantasia, suave melodia misturava-se libertando notas de um violino cansado. Na penumbra, quase esquecido, o rapaz dedilhava no violino que era muito mais gordo que cansado, “Mrs Bojangles”.
E, muito baixinho, alguém cantava :
“He said, "I dance now at every chance at honky-tonks for drinks and tips.
But most of the time I spend behind these county bars, 'cause I drinks a bit"
He shook his head, yes, he shook his head, I heard someone ask him, "Please,
Mr. Bojangles, Mr. Bojangles, dance, dance, Mr. Bojangles, dance”


" O rapaz do violino gordo" - Foto by José Oliveira

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Ser Livre...Assim.

 Ser Livre! Livre nas pequenas coisas , quase imperceptíveis que nos definem.
 Livre de pegar nas folhas da minha memória e fazer delas, testamento da única herança que a meus filhos deixarei.
Quero Ser Livre , aqui dentro, onde mora a verdade do que sou.
E quando tombar que seja pela Insustentável Leveza de Ser assim!
Foto By José Oliveira

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Crepúsculo

Cai suavemente a luz
que nas sombras se perdeu
Caricias mornas
Suave brisa
neste entardecer.
E na memória o crepúsculo
dos dias sem tempo
que o tempo apagou.
Foto E.M.E.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Onde Somos...

Nesse ponto exacto
Tão inexacto
que não sabemos que ponto é
Nesse instante breve
Tão eterno
que o julgamos infinito

Submergem caminhos
Tão alinhados
que nunca saberemos para onde nos levam.

Um ponto
Um instante
Um caminho
Onde somos...
O quê?

Foto by Eme

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Sonho contigo ...Aqui!

Escrevo - te daqui, deste lugar onde sonho...onde sonho contigo.

Do nosso entardecer nesta planície que se faz do imenso espaço, onde  apenas cabem Tu e Eu..
Sonho...
Lado-a-lado, em silêncio, vemos as cegonhas que voam rumo a Sul.
Lado-a-lado, sentimos a brisa suave deste Outono que chega até nós.
Lado-a-lado, o olhar  vê ao longe , no horizonte, a miragem de nós mesmos.

Sentados nesta terra árida, vestida de capim seco, o tempo não corre, não passa.
Falo-te !
Falo - te de tanta coisa que já sabes, mas falo-te.
Quero que leves as minhas palavras, uma a uma, dita apenas com o coração.
Ouves- me!
Ouves-me vez sem conta e o teu olhar compreende esta minha necessidade de te falar daquelas pequenas coisas, tão pequenas que só tu entendes e vês.
Quero viajar contigo até onde nos levar esta vontade de permanecermos lado-a-lado.
Quero descobrir geografias que são recortadas na nossa memória porque só dela vivemos os nossos dias.
Hoje, aqui neste lugar, estive contigo , sentada a ouvir a música que o silêncio  faz quando nada mais é preciso. Apenas o silêncio, apenas a música que tu e eu ,compomos.

O sol deita-se de mansinho.
Tu e eu, de corpos nus entrelaçados, cobertos pelo azul suavemente nocturno, transpiram agora, gota a gota, o desejo e na imensa árida planície, duas árvores jazem serenamente à espera que um dia,  não tenham que acordar.

Escrevo-te daqui, onde sonho contigo.
Eme - "Memória de um Sonho"


Morro, Eu sei!


Morro, Eu sei!
Um pouco cada dia.
Morro, Eu sei!
Agarrada à terra árida
Deserto sentir
dos ventos agrestes do sul
À volta, secaram as flores silvestres
Há capim da cor de mel
amargo e quebrado neste mundo sem fim.

Morro, Eu sei!
Só. Despida. Em pé!

E lá longe está o vento
que não chega para me ressuscitar.
Eme

sábado, 28 de setembro de 2013

Ausência

Cansaço!
Cansaço que vem de dentro,  rasgando a pele, desventrando a alma.
É o cansaço que nos faz desistir, até de sentir.
Apetece apenas fechar os olhos e ficar tão inerte, tão ausente que quem visse julgaria que ali apenas estava uma estátua, fria, feita de pedra.
Estou cansada, profundamente cansada da ilusão de querer o que não posso ter.
Estou ...
Nada, vazia, esquecida de mim, em mim, nesta ausência que ficou aqui.